quarta-feira, 30 de novembro de 2011

MEU BEM ME QUER (VICENTE PEREIRA)





Foste sempre uma flor
Agora mais murcha e envelhecida
Mas és sempre o bem me quer do amor
Companhia de toda a minha vida.



Fostes uma árvore frondosa
Na tua sombra, os filhos criaste
Para que tivessem uma vida maravilhosa
Com a tua ajuda, nunca faltaste.



Foste sempre o meu MAR
E um rio era todo o meu ser
Quando aflito corria a ti para me amparar
E envolvia-te com ternura no sofrer.



Foste sempre o meu sol
Iluminaste o medo da minha vida
Qual barco guiado pelo farol
Que não sente a rota perdida.



Foste a lua na noite escura
E tudo fizemos para te manter no céu
Quando a vida nos foi tão dura
Para a lua, as filhas e eu.

COMO O TEMPO (VICENTE PEREIRA)





O céu estava encoberto
As nuvens corriam para sul
Como era negra aquela tarde.


Talvez por eu estar com saudade
Ou o próprio coração encoberto
Lágrimas corriam nestas faces tristes
Pensando sempre num amor incerto.


Mas quanto tempo passou
Desde que ela me deixou,
Seria somente eu a sofrer
Ou o céu compreenderia o que se passou
Não, só ela o deve saber
Mas nem assim ela voltou.


Quanto tempo terei de esperar
Para que ela saiba esquecer
Uma insignificante palavra que escapou
Ou simplesmente não soube amar
Este que tanto a amou.


Talvez pense que eu a trai
Ou não vê que o meu coração
A chama para aqui
Transbordando de amor e paixão.


É bom recordar o seu rosto moreno
Os cabelos negros como a tarde
Que me abandonou num andar sereno
Estive para correr e a abraçar
Mas fiquei sem poder andar.


Enquanto a sua bela imagem
Fugia do meu olhar
Os cabelos voando na aragem
Que o tempo fizera soprar.


Ainda hoje sinto o escuro do céu
O vento como a chorar
O sol, a alegria, tudo desapareceu
Mas eu a continuo a amar.


Um dia se ela voltar
Todo eu serei alegria
Vou-a apertar nos meus braços
E afirmo que até nesse dia
O sol brilhará nos espaços,
Se chover será de simpatia
As nuvens dançando a compasso
Compreendem a minha alegria.


Mas nada disto se está a passar
Enquanto a chamo para o meu lado
Enquanto sofro este esperar
Enquanto ela não esquece o passado.


EU A CONTINUAREI AMAR.

CRÔNICA: HISTÓRIA DA FAUSTINA DO PILAR (VICENTE PEREIRA)





Vou-vos contar a história
Da Faustina do Pilar
Jovem madura e quente
E no amor era ardente
O seu sonho era casar.


Ela tinha quarenta anos
E nada nela mudou
Passava bem por sessenta
Tal era a vestimenta
Da roupa que sempre usou.


A Faustina era feiinha
Perdoa Senhor de céu
Coxeava a andar
Era gaga a falar
O Senhor nada lhe deu.


Namorou um americano
Que uma foto lhe pediu
Ela mandou de uma tia
Já velhota mas bem parecida
E o americano lá caiu.


Mas quando a veio visitar
Foi tamanha a emoção
Quando viu tamanho bode
Ele ficou que nem pode
E deu-lhe um ataque de coração.


Namorou um certo tempo
Com um cego de Alenquer
Mas quando foi o casamento
Deu-se um milagre e de momento
O cego ficou a ver.


Quando olhou para a Faustina
Ela riu-se de contente
E mesmo em frente altar
O homem não quis casar
Mas ficar cego novamente.


A Faustina pôs um anúncio
Que se queria casar
Foi tão grande a confusão
Apareceu um urso e um cão
Ela escolheu o urso polar.


Agora para terminar
Chegou ao fim o seu curso
A Faustina do Pilar
Lá acabou por casar
E dar ao mundo um Fausti-urso.

VERSOS PARA A PAULINA (VICENTE PEREIRA)





Se tu fosses uma flor
Talvez fosses um malmequer
Mas como és o meu amor
És uma flor de mulher.

Durante os dias só penso
Na tua imagem Maria
Mesmo de noite só sonho
Com o que penso de dia.

Das muitas formas de amar
Mais de cem consigo saber
Uma é nunca te deixar
As outras, contigo viver.

Esteja eu onde estiver
E tu sempre no teu lugar
Corro sempre para ti
Como o rio corre para o mar.

Passeávamos ao luar
Quando a lua no entanto
Se esconde com as nuvens
Com inveja do teu encanto.

Dizem que o amor é doido
E há tanto doido para aí
Mas se ser doido é ser louco
Então sou doido por ti.

Tenho no peito sentida
A pessoa do meu viver
O amor da minha vida
Paulina minha mulher.

Como o nosso amor é grande
O que pode vir depois
Só o fruto desse amor
Os rebentos de nós dois.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

TESTAMENTO (BTSE)





Hoje eu me peguei
Com papel e caneta
A escrever a minha última vontade.

Se caso todo dia eu morrer
Em um sono profundo
Depois de tanto amar.

Lego ao meu amor
A felicidade que um dia dele roubei.

A simplicidade em viver esse amor
Que um dia o ofertei.

A liberdade de dar a outro alguém
O direito de ser ou não por ele amado.

E quando a terra meu corpo voltar
Espero o sorriso mais belo que já ousou dar.

E quando o amor de lembrar mim,
Que seja a mais linda lembrança do nosso olhar.

Do sono profundo eu acordei
Vi que era apenas um sonho.

Porque o ser por mim amado
Estava lindamente ao meu lado.

E que fielmente cumpria
O que em devaneio a ele eu leguei.

Por fim, desperta
Ciente de que minha morte
Não passava de sono profundo.

Decido escrever na pele do meu amor
A minha declaração expressa de última vontade.

Eu poetisa, declaro em tua pele
Em verso se morrer for assim
Dormi profundamente,
Que eu morra mil vezes.

Pois ao amanhecer
Ressuscitarei esplendorosa
Nos braços do amor renascer.

CRÔNICA: SACOLA VERMELHA (KIKA MENDONÇA)





Levava uma sacola azul com flores vermelhas um homem aparentando 40 anos, cor morena, cabelos curtos e olhos negros.

Caminhava apressado e prendia a sacola contra o corpo como se não quisesse perder o controle. Seu rosto revelava preocupação e certa tensão enrijecia seus músculos, demonstrando visivelmente seu medo e desconforto diante dos clientes do supermercado.

Repentinamente atravessou as gôndolas entreolhando os empregados e mexendo a cabeça e o tórax com um frenesi e um pavor que chamava a atenção de todos, sem perceber esbarrou no gerente, homem forte, alto, aparência nervosa.

O olhar tigresco do gerente perscrutou a alma do incauto homem, tentando arrancar-lhe a confissão mais iminente: havia um roubo, a sacola estava cheia.

Vou acabar com esse desgraçado. O pensamento do gerente foi tão intenso que o homem da sacola enrubesceu, titubeou e trêmulo abriu a sacola.

O gerente emudeceu, ficou boquiaberto, numa sonata balbuciou:

Ai como sou bandida!

Adoro sex Shop!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

FRASES: O PEQUENO PRÍNCIPE (ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY)




Tu se tornas ETERNAMENTE responsável, por aquilo que cativas!


“Tu julgarás a ti mesmo – respondeu o rei. – É o mais difícil. É bem mais difícil julgar a si mesmo que julgar os outros. Se consegues fazer um bom julgamento de ti, és um verdadeiro sábio”.


“Talvez esse homem seja mesmo um tolo. No entanto, é menos tolo que o rei, que o vaidoso, que o empresário que o beberrão. Seu trabalho ao menos tem um sentido. Quando acende o lampião, é como se fizesse nascer mais uma estrela, ou uma flor. Quando o apaga, porém, faz adormecer a estrela ou a flor. É um belo trabalho. E, sendo belo, tem sua utilidade”.


“É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas. Dizem que são tão belas”.



"A gente só conhece bem as coisas que cativou - disse a raposa. - Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!"



- Se alguém ama uma flor da qual só exista um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para fazê-lo feliz quando as contempla. ele pensa "Minha flor está lá, em algum lugar..." Mas se o carneiro come a flor, é, para ele, como se todas as estrelas se repentinamente se apagassem! E isto não tem importância?



“As estrelas são todas iluminadas... Será que elas brilham para que cada um possa encontrar a sua?”



“Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar meu coração... É preciso que haja um ritual”.



“Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fossem música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando tiveres me cativado. O trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...”



-Mais quando a gente fica vermelho, não é o mesmo que dizer "sim"? -O mais importante é invisível ... -As estrelas são todas iluminadas ... Não será para que cada um possa um dia encontrar a sua?



“– Adeus – disse a raposa. – Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.”



Tu não és para mim senão uma pessoa inteiramente igual a cem mil outras pessoas. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo...



“– À noite, tu olharás as estrelas. Aquela onde moro é muito pequena para que eu possa te mostrar. É melhor assim. Minha estrela será para ti qualquer uma das estrelas. Assim, gostaria de olhar todas elas... Serão todas suas amigas. E, também, eu lhe darei um presente...”

CRÔNICA: O HOMEM NU (FERNANDO SABINO)

Ao acordar, disse para a mulher: —



Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa. Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum.

— Explique isso ao homem — ponderou a mulher.

— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações.

Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém.

Deixa ele bater até cansar

— amanhã eu pago.

Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café. Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão.

Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito.

Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém.

Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.

Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir.

Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão.

Bateu com o nó dos dedos:

— Maria! Abre aí, Maria. Sou eu

— chamou, em voz baixa.

Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.

Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares...

Desta vez, era o homem da televisão! Não era.

Refugiado no lanço da escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão:

— Maria, por favor! Sou eu!

Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo...

Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder.

Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de mais um lanço de escada. Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão. Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer.

— Ah, isso é que não!

— fez o homem nu, sobressaltado.

E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pêlo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido...

Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez para mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror!

— Isso é que não — repetiu, furioso.

Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar.

Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão do seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador.

Antes de mais nada: "Emergência: parar".

Muito bem. E agora? Iria subir ou descer?

Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir.

O elevador subiu.

— Maria! Abre esta porta!

— gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que outra porta se abria atrás de si.

Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o embrulho de pão.

Era a velha do apartamento vizinho:

— Bom dia, minha senhora

— disse ele, confuso.

— Imagine que eu... A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito:

— Valha-me Deus! O padeiro está nu!

E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:

— Tem um homem pelado aqui na porta! Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava:

— É um tarado!

— Olha, que horror!

— Não olha não! Já pra dentro, minha filha!

Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era.

Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta.

— Deve ser a polícia — disse ele, ainda ofegante, indo abrir.

Não era:

Era o cobrador da televisão.

TEMPO (TANIA POLON)



O tempo corre em direção horizontal...

Limites não há que o tempo não atinja. Vivendo ou não em função do tempo, mas o tempo é implacável, ele passa, ele voa e quando percebemos já não o alcançamos, ele passou, o hoje virou passado e perdemos o nosso precioso tempo com coisas que não foram imprescindíveis para nós e para nosso crescimento...

É duro acordar um dia e ver que o tempo passou e nós ficamos estagnados, vimos às pessoas ao nosso redor caminharem a passos largos, rumo à concretização dos seus objetivos...

É duro perceber que não aprendemos muito e não nos transformamos em pessoas melhores para nós mesmas, melhores para outras pessoas...

É nesse despertar da estagnação que devemos olhar profundamente para dentro de nós e buscar caminhos que nos levem a caminhar a passos até curtos, mais firmes....

Que aprendamos a enxergar a nossa vida com alta dose de otimismo e imaginar que ela se assemelha a uma escadaria, e possamos subir um degrau por dia, e que esse degrau seja sólido, concreto equilibrado...

Subir um degrau por dia... É você dar o melhor de si mesma...

É você fazer as coisas que lhes são importantes e que lhes dá prazer...

É você ser a protagonista da sua própria vida... Não aceitando nenhuma assertiva negativa de quem quer que seja, não permitindo que as pessoas invadam a sua vontade maior que é a de ser feliz e proporcionar as pessoas que ama toda felicidade que o cosmo permitir...

O tempo que se adiantou antes, correrá a nosso favor quando tomarmos as rédeas da nossa vida, por estarmos produzindo momentos de contentamento pelo dever realizado para conosco e por estarmos construindo coisas novas para nós e para as pessoas...


ESPERANÇA (SUSANA CARREIRA DA SILVA)





Até que a mente me conserve lúcida.

Hei-de cultivar o amor.

Na mochila trago a esperança.

E também um livro de poemas.

Onde são concretizados a paz, o amor e a justiça.

Que é esse o grande sonho da humanidade.

Colorindo assim cada novo dia.

Tentando semear alegria.

Trago Também na mochila a memória.

A memória do que já vivi e do que aprendi.

Caminhando pelos caminhos da vida.

Encontrando-me em encruzilhadas.

Sem nunca esqueçer a esperança.

Já encontrei a tristeza e com ela aprendi.

Que a felicidade é a aceitação.

A aceitação do que vivi e de quem conheci.

Trago sempre a esperança comigo.

Para que nessas encruzilhadas me encontre.

E encontre o caminho de volta.

Neste livro de poemas reconheci o amor.

Este amor que me faz sentir.

E com este amor sinto a humanidade.

Reconheci também a injustiça.

Da qual aprendi que há justiça.

A justiça de viver e aprender.

A justiça de amar.

A justiça de Ser.

E assim vou continuar a palmear por este mundo.

Com a minha mochila recheada com humanidade.

E continuar a semear o melhor de mim.

E espalhar assim em formas coloridas.

O amor e a alegria.

OS SEUS INCÔMODOS E SUAS TRANSFORMAÇÕES (HELENA PAIX)



É que todas as transformações nascem de um incômodo.

Lhe incomoda ser só: surge a necessidade do outro.

Lhe incomoda a distância: surge o diálogo.

Lhe incomoda a dor: surge o perdão. Lhe incomoda o peso: surge a liberdade.

A transformação-de-si nasce, então, do incômodo mais importante que há: o incômodo de não estar vivendo tudo o que você pode viver; de não estar sentindo tudo o que você pode sentir; de não estar sendo tudo o que você pode ser.

Entenda: para ser você mesma(o), você deve ser revolucionária(o). A revolução deve acontecer justamente em e com você: e essa revolução nasce do incômodo e o incômodo nasce da revolução. A revolução transformadora e criadora de essências.

Essas coisas todas, as coisas práticas da vida, elas são ocupação: há quem passe a vida se ocupando.

Mas para que você realmente aconteça, para que você realmente proclame a si mesma(o) como sendo quem verdadeiramente você é, é preciso o que chamo de incômodo-origem.

O incômodo-origem é um despertar: é um entender que você talvez jamais venha a ser quem querem que você seja.

É um perceber que a libertação depende quase que exclusivamente da construção de um escudo-dor que lhe protege das expectativas dos outros e faz com que você se foque nas SUAS expectativas. Entenda: amar é um troço perigoso.

Porque como amar é essência, as outras coisas se disfarçam de amor e influenciam nossas tristezas, pesos e destinos. A gente pensa que amar é não deixar que nossas ações toquem o outro: e aí, por medo de machucar os filhos ou a família, pais que não se amam mais passam a vida inteira infelizes.

A gente pensa que amar é não gerar incômodo: e aí a gente esconde quem nós somos e o que queremos e passamos a vida vivendo pelas regras dos outros para que eles continuem em suas zonas de conforto, para que eles continuem a viver como pensam ser o certo e o bom.

A gente acha que amar é não ferir: e aí a gente não enfrenta, a gente não fala, a gente não traz à tona aquele vazio, aquele não-quero-mais. E aí o mais cruel e perigoso acontece: a gente não escuta os nossos incômodos. E a aí a gente se perde se si mesma(o) e passa a vida existindo, e não vivendo.

Há que haver uma quebra. Há que surgir um entendimento extra-humano: o de que a SUA vida é um presente que foi dado a VOCÊ. Não aos seus pais, não à sua companheira(o), não à sua família. Eles são convidados Vips de sua existência. Mas a vida é sua. Assim como devem ser os seus incômodos.

Quando o incômodo é ouvido, uma revolução acontece: você entende que não conseguirá jamais agradar a todos. Você percebe que não tem dado certo viver pelo que os outros querem de você. Essa revolução assusta: porque para que você busque realizar as suas expectativas, será necessário que você abandone as expectativas dos outros.

Será necessário que você se convença que a dor dos outros não é um fardo seu. Será preciso um entendimento sério demais: que você se conscientize que cada um precisa lidar com suas próprias dores e decepções.

E não é uma questão de ser egoísta (embora muitos vejam assim): é uma questão de celebrar com todo respeito e dignidade a vida que lhe foi dada. E não é uma questão de não amar os outros (embora assim possam interpretar): é uma questão de dar-lhes a oportunidade de conhecer você em toda a sua completude e essência.

E não é uma questão de não se importar com os que os seus queridos querem ou pensam (embora tentem lhe atribuir essa culpa): é uma questão de não deixar que você se torne refém do medo, da insegurança e da carência dos seus queridos.

Cada um de nós precisa ter a sua história: mas a sua história só faz sentido se for escrita por você mesma(o).

Escutar seus incômodos é uma ação difícil, mas a transformação que acontece em você, a revolução que acontece em você, resvala nas outras pessoas: ao ponto de muitas delas aprenderem a escutar os seus próprios incômodos.

Essa é uma fonte infinita de abraços: a percepção de que somos unidos não por agradar uns aos outros, mas por todos estarmos aqui para crescer juntos.

TUDO PASSA (CHICO XAVIER)






Tudo passa... 

Todas as coisas na Terra passam: 

Os dias de dificuldade passarão... 

Passarão, também, os dias de amargura e solidão.

As dores e as lágrimas passarão.

As frustrações que nos fazem chorar...

Um dia passarão:

A saudade do ser querido que está longe, passará.

Os dias de tristeza...

Dias de felicidade...

São lições necessárias que, na Terra, passam, deixando no espírito imortal as experiências acumuladas.

Se, hoje, para nós, é um desses dias, repleto de amargura, paremos um instante.

Elevemos o pensamento ao Alto e busquemos a voz suave da Mãe amorosa, a nos dizer carinhosamente: 'isto também passará' E guardemos a certeza pelas próprias dificuldades já superadas que não há mal que dure para sempre, semelhante a enorme embarcação que, às vezes, parece que vai soçobrar diante das turbulências de gigantescas ondas.

Mas isso também passará porque Jesus está no leme dessa Nau e segue com o olhar sereno de quem guarda a certeza de que a agitação faz parte do roteiro evolutivo da Humanidade e que um dia também passará.

Ele sabe que a Terra chegará a porto seguro porque essa é a sua destinação.

Assim, façamos a nossa parte o melhor que pudermos, sem esmorecimento e confiemos em Deus, aproveitando cada segundo, cada minuto que, por certo, também passará.

Tudo passa...

Exceto Deus...

Deus é o suficiente!

CONFIE SEMPRE (CHICO XAVIER)







Não percas a tua fé entre as sombras do mundo.

Ainda Que Os Teus pés estejam sangrando, segue para a frente, erguendo-a por luz celeste, acima De ti mesmo.

Crê e trabalha.

Esforça-te no bem e espera Com paciência.

Tudo passa e tudo se renova na terra, mas o que vem do céu permanecerá.

De todos os infelizes os mais desditosos são os que perderam a confiança Em Deus e em si mesmo, porque o maior infortúnio é sofrer a privação Da fé e prosseguir vivendo.

Eleva, pois, o teu olhar e caminha. Luta e serve.

Aprende e adianta-te. Brilha a alvorada além da noite.

Hoje, é possível que a tempestade te amarfanhe o coração e te atormente o ideal, aguilhoando-te com a aflição ou ameaçando-te com a morte.

Não te esqueças, porém, de que amanhã será outro dia.

UM DIA (MÁRIO QUINTANA)

...

Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem.

Você não só não esquece a outra pessoa como pensa muito mais nela...

Um dia nós percebemos que as mulheres têm instinto "caçador" e fazem qualquer homem sofrer ...

Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável...

Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples...

Um dia percebemos que o comum não nos atrai...

Um dia saberemos que ser classificado como "bonzinho" não é bom...

Um dia perceberemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você...

Um dia saberemos a importância da frase: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas..."

Um dia percebemos que somos muito importante para alguém, mas não damos valor a isso...

Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais...

Enfim...

Um dia descobrimos que apesar de viver quase um século esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para beijarmos todas as bocas que nos atraem, para dizer o que tem de ser dito...

O jeito é:

Ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida...

Ou lutamos para realizar todas as nossas loucuras...

Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação.

domingo, 13 de novembro de 2011

CRÔNICA DO PÔR DO SOL (KIKA MENDONÇA)





Conheço a família Madeira. Boa gente, que mora em Tatuapé e conhece a maioria das transformações porque passa aquele bairro. Seu Jose o patriarca, me falou do tempo em que ele foi morar na rua Fernandes Pinheiro. – Era tudo várzea, a gente andava na rua atolando os pés até metade da canela. Ninguém queria morar naquela rua. Bem próximo tem o parque do Piqueri. Fiquei sabendo que era da tradicional família Matarazzo. Assim, outras histórias foram contadas – o crescimento e a sofisticação do jardim Anália Franco, o movimento Pilequinho, Bar dos embalos de sábado à noite, o popular Shopping Tatuapé, que se tornou ponto de encontro de gente de todas as idades, sem esquecer, é claro, da igreja Nossa Senhora da Conceição, na Praça Silvio Romero, o famoso republicano. É nesse cenário que a morte perde a mistificação. Para essa família a morte não é o fim, como também não é o começo de nada. Parece uma relação perfeita de alternância de exaltação e subordinação. Quando a morte leva alguém ela está em estado de exaltação, de mando. Quando alguém escapa de suas garras, é porque ela está em estado de subordinação, de obediência. Deus é o maioral que permite essa alternância da morte, como borboleta no casulo. Eles assim acreditam. A família Madeira é parte presente no velório e no enterro da maioria das pessoas conhecidas que morrem no pedaço. Seja carregado pelos anos, seja saindo das fraldas, não importa, lá estão velando. Velam João, Francisco, Antônia. Enterrou Maria, Teresa, Sebastiana. Sabe quem morreu? Tiãzinho. Quem e esse cara? Aquele que vendia fruta na praça, a mulher dele morreu, ele vendeu a banca, foi para Minas e depois foi morar com o cunhado. De quê foi? Disseram que bebia muito, com desgosto, não tinha família, nem criava cachorro, a solidão foi sua prima amiga. Deus o tenha. Você vai ao velório? Vou. Até que horas você vai ficar lá? Até meu corpo não cansar. No enterro lá estão – José, Olímpia, Glorinha, Zezinho, Flor, Reginaldo, Beto e Peludinha, a gatinha de olhos azuis, enfim, toda a família, para colocar um punhado de areia no caixão e rezar baixinho: Deus te reserve um lugar bem legalzinho, caro Tiãozinho, que esse pôr do sol seja lindo como no Sertão, porque pobre tem pouca terra, sete palmos abaixo do chão, Morte e vida Severina é a coisa mais certa, tudo que pobre tem é um pôr do sol ou a cova fria para amargar a solidão. Deus me perdoe.

Legenda: Tatuapé – Bairro da Zona Leste de São Paulo – capital.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O SER HUMANO LIVRE??? (TANIA POLON)



Como é bom você sentar em frente ao mar e imaginar o infinito que se esconde atrás das suaves ondas...

Adoro o mar, mas adoro o mar para poder observar o que está escondido no recôndito das suas ondas...

A intensidade que a profundeza do mar nos remete, revela-nos a distância que segue seu rumo, ora tranquilo, ora revolto...

Quando percorremos seus passos, nos deparamos com águas que invadem nossa vida, levando-nos a atingir a calmaria ou o tormento...

O mar é tão profundo quanto à sutileza das nuvens, como a alvorecer da relva, como o balanço das nuvens tentando imitar uma infinidade de gravuras para nos enaltecer a alma...

A natureza pinta gravuras em nosso coração e a nossa alma vibra pelas sensações de equilíbrio que a arte se torna presente e desenha formas de paz e de amor...

E em nossa mente, imagens se formam de esperança e de contentamento, quando nos despojamos de todas as coisas que nos deixam fora de órbita, atingimos o ponto de equilíbrio entre a Natureza calma e o Ser Humano sereno...

Um Ser Humano livre das amarras e dos conceitos e opiniões alheias...

Um Ser pensante, íntegro as suas vontades e atento as suas maiores necessidades que é a de sentir-se liberto das amarras e emaranhados dos pensamentos que norteiam o mundo...


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O MAIS BELO POEMA (CRIS ANVAGO)





Gostava de ser..

O mais belo poema..

Gostava que o lesses nos meus olhos...

Que o sentisses...

Que nos teus lábios nascesse um sorriso...

Ao pensar em mim...

Gostava de estar na tua cabeceira...

Ver-te dormir...

Como se fosse...

O teu livro de poemas..

Gostava que lesses...

O que não está escrito...

O que sinto e penso...

Ao pensar-te...

E ao sentir-te...

Gostava...

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O QUE É MAIS IMPORTANTE PARA NÓS??? (TANIA POLON)




As pessoas deveriam super valorizar o lado humano delas e negligenciar um pouco mais o lado materialista para que houvesse um equilíbrio e fossem mais felizes....

Super valorizar o material não as deixa plenamente felizes por que falta algo imprescindível para o ser humano que é a troca do amor entre eles...

Quantas pessoas passam suas vidas inteiras lutando para adquirir bens materiais para que sejam felizes, muitas vezes estão rodeadas de "tantos amigos" e se sentem sozinhas, numa solidão tão grande, muitas até perdem o prazer de viver, e se perguntam, por que ela têm tanto e se sentem sozinhas e abandonadas???

O AMOR não precisa ser economizado, precisa ser compartilhado com todos para que possamos ser mais felizes...

Quando amamos o próximo, a maior beneficiada será você mesma, por que atrairá uma felicidade muito grande para o seu coração. Ser feliz é questão de vontade interior, ser feliz deve ser seu maior objetivo, ser feliz é questão de escolha...

Eu decidi ser Feliz, e você???

Quando falo de Amor, falo de um sentimento nobre de Seres Humanos para Seres Humanos, falo em amar a si mesma, amar incondicionalmente sem medir espaços, fronteiras, esforços, amar pelo prazer que o amor faz em nossas vidas, amar a todos pelo simples e pura vontade de amar...


20 PENSAMENTOS (ECKHART TOLLE)

1) O momento presente é a coisa mais preciosa que existe... As pessoas não percebem que agora é tudo o que é, não exi...