quarta-feira, 16 de novembro de 2011

OS SEUS INCÔMODOS E SUAS TRANSFORMAÇÕES (HELENA PAIX)



É que todas as transformações nascem de um incômodo.

Lhe incomoda ser só: surge a necessidade do outro.

Lhe incomoda a distância: surge o diálogo.

Lhe incomoda a dor: surge o perdão. Lhe incomoda o peso: surge a liberdade.

A transformação-de-si nasce, então, do incômodo mais importante que há: o incômodo de não estar vivendo tudo o que você pode viver; de não estar sentindo tudo o que você pode sentir; de não estar sendo tudo o que você pode ser.

Entenda: para ser você mesma(o), você deve ser revolucionária(o). A revolução deve acontecer justamente em e com você: e essa revolução nasce do incômodo e o incômodo nasce da revolução. A revolução transformadora e criadora de essências.

Essas coisas todas, as coisas práticas da vida, elas são ocupação: há quem passe a vida se ocupando.

Mas para que você realmente aconteça, para que você realmente proclame a si mesma(o) como sendo quem verdadeiramente você é, é preciso o que chamo de incômodo-origem.

O incômodo-origem é um despertar: é um entender que você talvez jamais venha a ser quem querem que você seja.

É um perceber que a libertação depende quase que exclusivamente da construção de um escudo-dor que lhe protege das expectativas dos outros e faz com que você se foque nas SUAS expectativas. Entenda: amar é um troço perigoso.

Porque como amar é essência, as outras coisas se disfarçam de amor e influenciam nossas tristezas, pesos e destinos. A gente pensa que amar é não deixar que nossas ações toquem o outro: e aí, por medo de machucar os filhos ou a família, pais que não se amam mais passam a vida inteira infelizes.

A gente pensa que amar é não gerar incômodo: e aí a gente esconde quem nós somos e o que queremos e passamos a vida vivendo pelas regras dos outros para que eles continuem em suas zonas de conforto, para que eles continuem a viver como pensam ser o certo e o bom.

A gente acha que amar é não ferir: e aí a gente não enfrenta, a gente não fala, a gente não traz à tona aquele vazio, aquele não-quero-mais. E aí o mais cruel e perigoso acontece: a gente não escuta os nossos incômodos. E a aí a gente se perde se si mesma(o) e passa a vida existindo, e não vivendo.

Há que haver uma quebra. Há que surgir um entendimento extra-humano: o de que a SUA vida é um presente que foi dado a VOCÊ. Não aos seus pais, não à sua companheira(o), não à sua família. Eles são convidados Vips de sua existência. Mas a vida é sua. Assim como devem ser os seus incômodos.

Quando o incômodo é ouvido, uma revolução acontece: você entende que não conseguirá jamais agradar a todos. Você percebe que não tem dado certo viver pelo que os outros querem de você. Essa revolução assusta: porque para que você busque realizar as suas expectativas, será necessário que você abandone as expectativas dos outros.

Será necessário que você se convença que a dor dos outros não é um fardo seu. Será preciso um entendimento sério demais: que você se conscientize que cada um precisa lidar com suas próprias dores e decepções.

E não é uma questão de ser egoísta (embora muitos vejam assim): é uma questão de celebrar com todo respeito e dignidade a vida que lhe foi dada. E não é uma questão de não amar os outros (embora assim possam interpretar): é uma questão de dar-lhes a oportunidade de conhecer você em toda a sua completude e essência.

E não é uma questão de não se importar com os que os seus queridos querem ou pensam (embora tentem lhe atribuir essa culpa): é uma questão de não deixar que você se torne refém do medo, da insegurança e da carência dos seus queridos.

Cada um de nós precisa ter a sua história: mas a sua história só faz sentido se for escrita por você mesma(o).

Escutar seus incômodos é uma ação difícil, mas a transformação que acontece em você, a revolução que acontece em você, resvala nas outras pessoas: ao ponto de muitas delas aprenderem a escutar os seus próprios incômodos.

Essa é uma fonte infinita de abraços: a percepção de que somos unidos não por agradar uns aos outros, mas por todos estarmos aqui para crescer juntos.

Um comentário:

Tania disse...

Parabéns Helena pelo brilhantismo e profundidade do seu texto...

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